
Muitas pessoas ainda acreditam que vacina é coisa de criança. Que quando adulto, é só vacina contra gripe. Mas a ciência mostra exatamente o contrário.
As vacinas evitam milhões de mortes todos os anos e estão entre as intervenções médicas que mais salvaram vidas na história da humanidade. E ainda assim, temos diversas dúvidas sobre elas.
- Posso tomar vacina doente?
- Existe vacina para pneumonia?
- Vale a pena tomar vacinas na rede privada?
- Quais vacinas realmente preciso depois dos 40, 50 ou 60 anos?
Neste post, reunimos as principais respostas com base nas recomendações mais atuais das autoridades de saúde.
Podemos tomar vacina quando estamos doentes?
Essa talvez seja uma das dúvidas mais comuns. A resposta é: Depende da intensidade da doença. Se a pessoa apresenta apenas sintomas leves, como:
- coriza;
- rinite;
- leve dor de garganta;
- resfriado leve sem febre;
Na maioria dos casos a vacinação pode ser realizada normalmente. Mas, por outro lado, quando existe:
- febre alta;
- infecção importante;
- pneumonia;
- internação;
- quadro clínico agudo moderado ou grave,
O mais prudente costuma ser adiar a vacinação até a recuperação. Para que o seu corpo não divida os esforços de resposta imunológica entre a vacina e a sua doença atual.
Outro motivo é que pode ser difícil diferenciar sintomas da infecção dos possíveis efeitos adversos da vacinação. Lembre-se, sempre vale conversar com o profissional de saúde antes da aplicação.
Como as vacinas funcionam?
As vacinas apresentam ao sistema imunológico uma versão inativada, atenuada ou fragmentos de um microrganismo. Assim, o organismo aprende a reconhecê-lo antes que uma infecção verdadeira aconteça.
Quando o vírus ou a bactéria entram em contato com o corpo futuramente, o sistema imunológico já sabe como reagir com rapidez. Esse mecanismo reduz significativamente o risco de formas graves, internações e mortes.
Quais vacinas os adultos mais esquecem?
Grande parte das pessoas acredita que basta tomar a vacina da gripe todos os anos. Na realidade, existem diversas outras vacinas importantes.
dT (Difteria e Tétano)
Pouca gente lembra que ela precisa de reforço a cada 10 anos. Além de proteger contra o tétano — que continua existindo — também protege contra a difteria. Esta vacina está disponível no SUS.
HPV
Embora seja mais conhecida entre adolescentes, hoje diversos adultos também podem se beneficiar da vacinação, conforme indicação médica e disponibilidade. Ela está disponível a partir dos 9 anos de idade. É recomendado que se tome antes dos 14 anos.
O HPV está relacionado não apenas às infecções que podem evoluir para câncer de colo do útero, mas também a cânceres de boca, garganta, pênis, vulva e ânus. Esta vacina está disponível no SUS.
Herpes-zóster
Indicada principalmente para pessoas acima de 50 anos ou indivíduos imunocomprometidos. Ajuda a reduzir significativamente o risco do chamado “cobreiro” e suas complicações.
Atualmente, esta vacina não é fornecida gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), apesar de estar em análise e debates contínuos para incorporação. Ela pode ser encontrada na rede privada de saúde e em clínicas de vacinação e farmácias, com preços que variam entre R$ 700 e R$ 950 por dose.
É uma das vacinas que mais cresce em procura nos últimos anos.
Pneumo 20: uma das novidades da vacinação no SUS
Nos últimos anos surgiu uma nova geração das vacinas pneumocócicas. Uma das mais recentes é a Pneumo 20 (PCV20), agora fornecida pelo SUS e sendo focada prioritariamente em crianças até 5 anos de idade, idosos ou pessoas com necessidades especiais.
Ela amplia a proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças como:
- pneumonia;
- meningite;
- otite;
- infecções generalizadas (sepse).
Esquema de doses recomendado:
- De 6 semanas a 6 meses: 3 doses (aos 2, 4 e 6 meses) + 1 reforço entre 12 e 15 meses .
- De 7 a 11 meses: 2 doses com intervalo de 1 a 2 meses entre elas + 1 reforço entre 12 e 15 meses .
- De 12 a 23 meses: 2 doses com intervalo mínimo de 2 meses .
- A partir de 2 anos, adolescentes e adultos: Dose única.
Em muitos casos, ela simplifica esquemas vacinais anteriormente mais complexos.
Vacina da gripe continua sendo importante?
Sim, com toda certeza! O vírus influenza sofre mutações constantemente. Por isso, a vacina é atualizada todos os anos.
Gratuitas pelo SUS, ela continua sendo uma das principais estratégias para reduzir hospitalizações, especialmente entre:
- idosos;
- gestantes;
- crianças;
- profissionais da saúde;
- pessoas com doenças crônicas.
Mesmo quando não impede totalmente a infecção, costuma reduzir significativamente a gravidade da doença.
Vacina da dengue: quem deve tomar?
A vacina contra dengue representa um avanço importante no combate à doença. No Brasil, a disponibilidade pelo SUS ainda segue critérios definidos pelo Ministério da Saúde, priorizando determinadas faixas etárias e municípios conforme a disponibilidade de doses.
Na rede privada, existem outras possibilidades de acesso, respeitando as indicações de cada fabricante. Independentemente da vacinação, o controle dos focos do mosquito continua sendo uma medida essencial.
Quais vacinas só encontramos na rede privada?
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente uma das maiores coberturas vacinais do mundo. Mas mesmo assim, algumas vacinas ou versões mais modernas ainda estão disponíveis principalmente na rede privada.
Entre elas estão:
- Herpes-zóster;
- Pneumo 20 (em alguns cenários);
- Vacinas meningocócicas mais abrangentes;
- Algumas formulações mais recentes contra influenza;
- Vacina contra vírus sincicial respiratório (RSV), indicada para grupos específicos.
A necessidade dessas vacinas depende da idade, das doenças existentes e do risco individual. Por isso, a decisão deve ser tomada junto ao médico.
Vale a pena investir em vacinas da rede privada?
Vacina nunca é demais, mas nem sempre será crucial. Mas algumas delas oferecem proteção ampliada ou contemplam grupos de maior risco.
Em idosos, por exemplo, reduzir uma pneumonia pode significar evitar uma internação, perda de autonomia ou complicações importantes.
Nesses casos, muitas vezes o investimento na prevenção é pequeno quando comparado aos custos e ao impacto de uma doença grave.
Vacinas podem causar a doença?
Essa é uma das desinformações mais antigas sobre vacinação. Na imensa maioria dos casos, não. Algumas vacinas utilizam vírus inativados, proteínas ou apenas fragmentos dos microrganismos.
Outras utilizam vírus vivos atenuados, incapazes de causar doença em pessoas saudáveis. Mas as vezes causam efeitos colaterais, os mais comuns costumam ser leves e passageiros, como:
- dor no local da aplicação;
- vermelhidão;
- febre baixa;
- cansaço.
Eventos adversos graves são raros e são continuamente monitorados pelos sistemas de vigilância em saúde.
Manter a carteira de vacinação atualizada é um cuidado para toda a vida
Vacinação não é apenas uma proteção individual. Ela também ajuda a proteger familiares, colegas de trabalho e pessoas mais vulneráveis que não podem receber determinadas vacinas.
Se faz tempo que você não revisa sua carteira de vacinação, vale a pena conversar com seu médico ou procurar uma unidade de saúde. Às vezes, uma simples atualização pode evitar doenças graves no futuro. Porque prevenir continua sendo uma das formas mais inteligentes de cuidar da saúde.
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